“Sobre o desenvolvimento do mercado de grãos”
Na Rússia desde tempos imemoráveis o pão considera-se a “cabeça de tudo”. E neste provérbio foi refletido todo o significado para homem de tais esferas como agricultura e produção de grãos. Víveres são principal recurso da vida. Enquanto o nível de seu fornecimento é a primeira característica na avaliação da qualidade da vida.
A propósito disso a Rússia está seriamente preocupada com a crise alimentar global que continua agudo. Ele se forma sob a influência de vários fatores: ora crescimento da população mundial, ora a mudança das dietas. Como também o desenvolvimento da produção de biocombustíveis a partir da matéria prima de víveres, a influência das mudanças climáticas sobre os rendimentos agrícolas e muitos outros fatores.
De março a abril do ano passado os preços de víveres nos mercados internacionais cresceram 55% em um ano, e os preços de arroz na Ásia quase triplicaram. O aumento dos preços sobre os principais produtos alimentares foi sobretudo um golpe duro para os países pobres onde as despesas das famílias com a comida varia de 50% a 90%. O número de esfomeados no mundo não diminui. Hoje são 950 milhões de pessoas. Contudo trata-se não só de baixo consumo de comida, mas em uma série de casos da verdadeira fome. No século XXI isto soa especialmente assustador, mas é o fato. E em alguns países onde a produção dos víveres não está suficientemente desenvolvida devido às condições climáticas a situação permanece explosiva.
È claro que hoje o foco de atenção passou para a crise econômica, mas os problemas dos mercados de víveres não desapareceram. Mais disso, serão de atualidade para os países durante o processo da saída da crise. Hoje a demanda global de consumidores de produtos alimentares baixou por toda a parte. Nos países ricos houve a simplificação e barateamento da cesta básica. Nos países pobres – agravamento da fome. Em contramão do “bilhão dourado” formou-se um “bilhão de esfomeados”, justamente aqueles cuja renda de acordo com a classificação internacional não permite o mínimo necessário dos produtos alimentares.
Já cresceu bruscamente a demanda de grãos, cujo fornecimento sustentável e acessibilidade constituem a base da estabilidade econômico-social para muitos países em vias de desenvolvimento. Segundo as previsões dos expertos, o consumo de grãos crescerá 30%-40% até 2030. E isso significa que a comunidade internacional não está protegida de novas voltas da crise alimentar no futuro. A propósito disso achamos promissor a idéia da criação do sistema global de administração das reservas alimentícias. Esta proposta foi promulgada no encontro dos Ministros da agricultura do Grupo-8 em Treviso. A sua realização não só facilitará o fornecimento de grãos como ajuda humanitária para os países necessitados, mas permitirá também diminuir os riscos no próprio mercado de víveres. Entretanto é importante chegar a um equilíbrio justo – entre o lucro de exportação dos excessos de víveres e o perigo de surgimento da “síndrome de adaptação” (quando nos países destinatários de ajuda alimentícia regular podem diminuir os estímulos para solução independente dos seus problemas).
Produção de grãos é o ramo tradicional para a Rússia e o desenvolvimento dele determina não só a disponibilidade de produtos de cereais, mas também a efetividade de pecuária. Renda do comércio dos grãos forma a maior parte do lucro dos agricultores.
A safra de grãos do ano passado bateu o recorde dos últimos anos – 108,4 milhões toneladas. Foi atingido não só devido às condições de tempo favoráveis e fertilidade das terras lavradios, mas também devido ao apoio financeiro governamental de agricultores. Tencionamos de continuar a mesma política apesar da crise económico-financeira.
Faço notar, que a possibilidade de ampliar áreas lavradios na maioria das regiões do planeta é quase esgotada. A Rússia mantém liderança mundial quanto às áreas e a qualidade das terras agrícolas. Não é por acaso que na Câmara Internacional de Medidas e Pesos em Paris, está guardado desde 1889 ao lado do metro de platina o metro cúbico da terra negra da Região de Voronezh – padrão da estrutura e fertilidade das terras. Estão concentrados no nosso país quase 40% de todas as áreas da terra negra, a de maior fertilidade natural, que é vantagem significativa para a competitividade. Nas condições da crise alimentar as terras russas não utilizadas desde 1991 (quase 20 milhões de hectares) podem voltar a ser exploradas.
Porem, a Rússia responde por apenas 5% de todo volume da produção mundial de grãos, tendo ao mesmo tempo o recurso de terras lavradios de pelo menos 14%.Nesse contexto as nossas perspetivas, como do exportador mundial são óbvios. A utilização efetiva do potencial biológico da terra russa e transição para estrutura de produção plena, correspondente às zonas bioclimáticas pode ser uma solução interessante. Mas esta questão deve ser examinada com participação da comunidade científica e pericial.
Consciente da sua responsabilidade, a Rússia tem o objetivo de realizar seu potencial agrário rico e levar os volumes da produção de grão para o nível, que permita, juntamente com outros maiores produtores, tornar-se garante da segurança alimentar para a parte significativa da humanidade. É possível atingir esta meta, ao que indica a volta da Rússia ao “clube” dos líderes da exportação de trigo. Segundo as estimações a Rússia vai exportar por volta das 21 milhões de toneladas de grão a quase 50 países durante a temporada de 2008/2009. Trigo alimentar de qualidade tipo “soft”utilizado para produção de farinha nos países desenvolvidos bem como nos países emergentes, é da maior demanda. Então, grão russo já virou-se um fator importante da disponibilidade de víveres nos muitos países, este é a nossa contribuição para a segurança alimentar global.
A Rússia tenciona ampliar a geografia de exportação de grão, entrar nos novos mercados dos países da Ásia sudeste (com perspetivas de criação do “Corredor oriental de desenvolvimento”) e diversificar as exportações, aumentando o volume dos produtos de processamento de grãos. Estamos prontos para medidas adicionais com vistas a aumentar a efetividade da produção agrícola, criar condições favoráveis para a implementação de inovações e garantir o acesso de agricultores efetivos à terra e capital.
Sem duvida a nossa prioridade é a implementação ampla das inovações na agricultura. Estamos dispostos a apoiar investimentos estrangeiros de longo prazo nesta área. Implementando métodos intensivos de agricultura, guardando tecnologias da produção de grão e do aumento de fertilidade media de trigo até 24 quintais métricos por hectare (atingida em 2008) podemos atingir o volume de 112-115 milhões de toneladas de grão por ano, e 133-136 milhões toneladas usando áreas lavradios adicionais. Hoje organizações internacionais têm a meta cheia de atualidade de formar o programa de pesquisas científicos referentes a tais problemas como desenvolvimento de tecnologias e garantia de acesso de todos os países a elas. Em particular, está na agenda a questão da inclusão do fornecimento de máquinas e tecnologias no programa de ajuda alimentar aos países emergentes para o desenvolvimento da produção agrícola própria.
A produção de bens agrícolas só pode ser eficaz quando existe a infra-estrutura de armazenamento e transporte adequados. Por isso considera-se a tarefa importantíssima o apoio ativo dos projetos da infra-estrutura. Isto é a modernização e criação de novos silos, desenvolvimento do sistema de transportes, redes de transportes, mecanismos de transbordo nos portos fluviais e marítimos. Um dos instrumentos da influência ativa do Estado sobre esses processos será a criação na Rússia da “Companhia Unida de Grãos”. Ela atuará no mercado de grãos como qualquer outra operadora cumprindo com isso as certas tarefas do governo, por exemplo, realização das operações de investimento, entregas no âmbito dos acordos internacionais entre outros.
Todas essas questões serão discutidas no início de junho no Fórum Mundial de Grãos em São Petersburgo. Foi a iniciativa do nosso país. E estamos convencidos de que o diálogo aberto permitirá começar a resolver muitas questões complicadíssimas na área de víveres.