Em 31 de outubro de 2002 em homenagem ao jubileu de 200 anos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia a Portaria do Presidente da Federação da Rússia instituiu a festa profissional – Dia do Diplomata que se celebra em 10 de fevereiro. É nesta data do ano de 1549 quando foi mencionado pela primeira vez Possolskiy prikaz – primeira entidade da política externa da Rússia.
A decisão do Presidente de instituir o Dia do Diplomata destacou o reconhecimento dos avanços da diplomacia como uma parte integrante do sistema estatal russo.
Em 8 de setembro de 1802 o Manifesto do Imperador Alexander I criou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. É o Conde A.R. Vorontsov que foi o primeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Em 1846 à proposta do chanceler K.V. Nesselrode foi adotado o Regulamento sobre o MNE (“Instituição do Ministério dos Negócios Estrangeiros”), que determinou a nova estrutura e funções da entidade da política externa. O Artigo I desse documento disse: “O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem como o objetivo as relações políticas com os estados estrangeiros, intercessão para proteção legítima dos súbditos russos nos países estrangeiros e auxílio na satisfação dos requerimentos justos dos estrangeiros sobre os seus interesses na Rússia”.
Em resultado da Guerra de Crimeia a posição da Rússia na arena internacional complicou-se consideravelmente. Naquele período nada fácil em 1856 o MNE foi encabeçado por A.M. Gorchakov, ao nome do qual estão ligados tanto os avanços mais significativos na arena internacional como a reorganização da entidade. A política externa, dirigida por ele, baseava-se na promoção dos interesses nacionais do país, inseparáveis, na opinião dele, da criação das premissas favoráveis internacionais para a realização das reformas internas.
Até 1913 a Rússia criou no exterior uma rede extensa das representações diplomáticas e consulares. Assim, em 1758 tinha 11 representações no exterior, em 1868 – 102, em 1897 – 147, em 1903 – 173, na véspera do início da Primeira Guerra Mundial a Rússia mantinha relações diplomáticas com 47 países e tinha mais de 200 representações no exterior.
Depois da Revolução de Outubro de 1917 foi criado o Comissariado Popular dos Negócios Estrangeiros (CPNE).
Nos anos 20 o CPNE, sob gerência de G.V. Tchetcherin, empenhava-se em tirar a Rússia da isolação política, restituir o estatuto do país como sujeito das relações internacionais, reconhecido, inerente e de direitos iguais.
Nos anos da Segunda Guerra Mundial a diplomacia soviética realizava de uma maneira firme curso para criação e fortalecimento da coalizão antifascista, abertura da segunda frente na Europa, participava da elaboração de todos os documentos principais da aliança.
Na fase final da guerra a entidade da política externa desempenhava o papel importante na coordenação das atitudes políticas dos aliados no processo da conclusão da derrota dos países da coalizão fascista, do estabelecimento das relações com os estados europeus libertados e da restauração da paz na Ásia e Oceânia.
A diplomacia soviética contribuiu significativamente para a criação da Organização das Nações Unidas.
O papel decisivo do nosso país na derrota da Alemanha nazista contribuiu para o fortalecimento do prestígio internacional da URSS. Em vista disto aumentou significativamente a quantidade dos países, com quais a União Soviética estabeleceu relações diplomáticas: de 28 em 1941 a 41 em maio de 1945, inclusive o Brasil.
Os objetivos principais da diplomacia soviética no período pós-guerra foram a promoção da paz, alívio da situação internacional e desarmamento. Muito trabalho foi feito para consolidar a autoridade da ONU como instrumento universal, destinado a regular as relações internacionais. A União Soviética e seu serviço diplomático desempenharam o papel principal na assistência política e jurídica à descolonização dos povos africanos e asiáticos. Porem, o caráter bipolar do sistema mundial estabelecido e ideologização da política externa levaram a situações de crise (acontecimentos na Hungria em 1956, a crise de Caribe de 1962, a crise em Checoslováquia de 1968, a invasão das tropas soviéticas no Afeganistão e outros).
Foi naquele período complicado quando a nossa diplomacia contribuiu significativamente para o processo comum europeu, a marca histórica do qual foi a celebração em 1975 em Helsínquia do Ato Final da Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa. O MNE da URSS contribuiu para entendimentos com países-líderes ocidentais, antes de mais nada com os EUA, na área de restrição da corrida armamentista e do desarmamento (Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (AMB), Acordo provisório sobre a limitação das armas ofensivas estratégicas de 1972 (SALT I), Tratado sobre a limitação das armas ofensivas estratégicas de 1979 (SALT II).
Os processos da “perestroika” (“reconstrução”) na URSS na segunda parte dos anos 80 foram acompanhadas pelas mudanças cruciais na política externa soviética, que passou a basear-se no princípio da unidade e interdependência da comunidade internacional. Naquele período conseguimos o melhoramento do clima internacional, eliminando dos arsenais existentes certas categorias das armas. Foi minimizada a queda-de-braço estratégica e militar entre o Ocidente e Oriente, definitivamente solucionado o problema alemão, normalizadas as relações com a China.
Em 28 de junho de 2000 o Presidente da Federação da Rússia Vladimir V. Putin aprovou A Concepção da Política Externa da Federação da Rússia, que foi elaborada com a participação do MNE e de acordo com a qual “o Ministério dos Negócios Estrangeiros realiza o curso da política externa, aprovado pelo Presidente da Federação da Rússia, exerce a coordenação da atividade externa dos órgãos federais do poder executivo.
Em várias etapas históricas o princípio da sucessão tem sido uma característica típica da atividade da diplomacia russa. O serviço diplomático russo examina e estuda a sua herança histórica. Compromisso com a ideia da sucessão significa criar a percepção objetiva da política externa ativa, que é tradicionalmente inerente à Rússia e que durante os séculos tanto providenciava ao nosso país o papel do participante de iniciativa da política mundial, como servia de uma das garantias importantes para sua segurança. Estes princípios são bem atuais sobretudo na época contemporânea da globalização e transição do sistema mundial bipolar ao novo sistema multipolar, quando há uma necessidade aguda dos mecanismos sólidos da gerência dos processos mundiais, da providência da estabilidade estratégica no sentido mais amplo.